A deficiência e as novas tecnologias
Em termos gerais, podemos definir que “Pessoa Portadora de Deficiência” é a que apresenta, em comparação a maioria das pessoas, significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais, decorrentes de fatores inatos e/ou adquiridos, de caráter permanente e que acarretam dificuldades em sua interação com o meio físico e social. No Brasil, o Decreto n. 3.298 de 20 de dezembro de 1999 considera pessoa portadora de deficiência a que se enquadra em uma das seguintes categorias: deficiência física, deficiência auditiva, deficiência visual e deficiência mental.
Ao ingressarem na escola, seja regular ou especial, as crianças com deficiência mental frequentemente vivem situações que reforçam uma postura de passividade diante do ambiente. Assim, ao invés de serem educadas para exercitar a independência e a autonomia, na medida de sua possibilidade, desenvolvem atitudes de dependência e submissão. É exatamente pelas dificuldades e atrasos que este alunos apresentam em seu desenvolvimento global que é necessário oferecer-lhes um ambiente de aprendizagem onde sua criatividade e iniciativa possam ser estimuladas e valorizadas, permitindo maior interação com as pessoas que os rodeiam e seu ambiente. Dentre os recursos educacionais à disposição, gostaríamos de destacar o computador, que está se tornando, cada vez mais, um instrumento presente no nosso cotidiano. Segundo o Prof. Fausto José Villanova, que leciona Música e Informática para alunos deficientes auditivos, visuais, mentais e físicos no Instituto N. S. de Lourdes, na cidade do Rio de Janeiro, “ A Informática, hoje tão presente em, nossas vidas, é extremamente necessária aos portadores de necessidades educacionais especiais. (...) É necessário que a comunidade escolar, o corpo docente, a família e os próprios alunos tenham consciência da importância de sua participação efetiva nesta nova área, que engloba a educação, a tecnologia e o mercado de trabalho”. O Prof. divide a utilização da informática naa seguintes modalidades:
1.Informática educativa: Ela visa desenvolver o raciocínio lógico, a percepção, a coordenação motora, a noção de lateralidade, o reconhecimento de espaço, noções de conhecimentos gerais, estímulos visuais e auditivos, estímulos competitivos e cooperativos, aquisição de conhecimentos e outras habilidades. O ideal é que o aluno tenha acesso à informática desde a pré-escola, através de jogos educativos. O computador também pode atuar no reforço escolar.
2.Informática musical: Utilizando um software para visualizar as freqüências sonoras, o aluno consegui distinguir sons graves, médios e agudos, facilitando a aprendizagem de um instrumento musical.
3.Informática de parceria: Nesta modalidade, a família tem acesso às aulas de seus filhos, havendo uma troca entre os softwares educativos usados em sala de aula e os utilizados em casa, permitindo que a família reveja os conteúdos ministrados em sala de aula.
4.Informática participativa: Visa estimular a navegação na Internet, estimulando o aluno a participar de fóruns e debates.
5. informática integradora social: Permite aos alunos atuar de forma produtiva, criativa e eficiente na realização de trabalhos, utilizando o computador. Assim, a pessoa com deficiência pode provar sua capacidade de realização, muitas vezes posta em dúvida, devido a preconceitos.
6.Informática de comunicação: Vários softwares são desenvolvidos, no Brasil e em outros países, visando facilitar a aprendizagem e a comunicação de pessoas com paralisia cerebral, deficiência visual ou outras necessidades especiais.
7.Informática terapêutica: Esta modalidade beneficia especialmente alunos com deficiência física e auditiva, que utilizam o computador como um “prótese” de comunicação. Esse processo acontece em função da interação terapeuta/paciente/computador.
8. Informática profissionalizante escolar: Tendo o professor como orientador, o aluno pode atuar como monitor no laboratório de informática ou como auxiliar de outros professores no preparo de aulas e testes. Importa ressaltar que já há experiências sobre a utilização da informática com alunos portadores de deficiência mental, com resultados positivos, como os obtidos pela equipe do NIED - Núcleo de Informática aplicada à Educação, da UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas.
Estudos indicam que a atitude do professor é um dos fatores que mais contribui para o sucesso de qualquer medida de integração da criança com deficiência. De fato, como o comprovam as práticas do dia-a-dia nas nossas escolas, não basta determinar legalmente a integração para que ela aconteça. A integração é, em última instância, um processo de fornecer aos alunos com deficiência uma educação com o máximo de qualidade e de eficácia, no sentido da satisfação das suas necessidades individuais. Ora, este objetivo depende fundamentalmente do papel do professor, nomeadamente de variáveis como a sua vontade em levar a cabo as tarefas de ensino destes alunos e a sua formação ou preparação pedagógica para o fazer.
Referências bibliográficas
Revista Integração, v. 13, n. 23/2001, p. 20 – 23.
VALENTE, José Armando. (org.). Liberando a mente: computadores na educação especial. Campinas: UNICAMP, 1991. E também: Computadores e conhecimento: repensando a educação. Campinas: UNICAMP, 1993.

2 comentários:
Olá colega,
o computador é uma ferraemnta que consegue despertar interesse em todos os alunos e o professor deve aproveitar para desenvolver atividades e bons trabalhos a partir do uso desta ferramenta.
Olá, Wanderliza!
São bastante relevantes as informações contidas em seu texto.Infelizmente grande parte dos alunos PNEE são, na verdade, excluídos em sala de aula, visto a não aplicabilidade de políticas públicas voltadas para esse público.
T+
Ana Maria
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